O monge e o atendimento, uma paródia pós-moderna.

Primeira coisa antes de você ler este magnífico texto. Não tenha expectativas. Expectativas aprisionam a mente num estado vegetativo e é esta a causa da infelicidade. Isso não é uma justificativa para um texto feito às pressas, acredite. O texto é excelente. Comecemos.

Quando os chineses finalmente resolverem acabar com o mundo, anote aí, apenas baratas e o pessoal do atendimento irão sobreviver. O atendimento é de longe a espécie mais bem adaptada entre os homo-sapiens e isso não foi obra de Deus, é culpa de Darwin e de sua insistente seleção natural.
Explicação:
Se você não tem paciência, pode pular esta parte. Mas se pular, não entenderá o final e terá que voltar aqui para ler de novo. Então, sugiro que leia tudo agora.
Desde que o homem desceu da árvore e resolveu explorar a savana perigosa, o atendimento era aquele que dizia ao corajoso macaco quase homem da criação (mqhdc): “É isso aí, temos que descer, temos que descer, vamos inovar!”.
O mqhdc desceu e o atendimento foi atrás incentivando e dando tapinhas nas costas. “Isso mesmo, é por aí, é por aí, fique a vontade pra sair do briefing!”. O que aconteceu, então? O mqh covarde do planejamento, aquele que ficou lá na árvore, foi comido pelo leopardo e o mqh corajoso da criação foi comido pelo leão. Sobrou o mqh do atendimento que copulou com a esposa dos dois lá do financeiro e da mídia e distribuiu o seu DNA para a próxima geração.
Agora dê um pequeno salto quântico no tempo e caia dentro de uma agência moderna. Djamp! Pumft! Xtá! A reunião de briefing está cheia. O cliente observa tudo. É um tal de “a nível de” pra cá, “branding” pra lá, “pensar fora da caixa” isso, “necessidade do cliente” aquilo, tudo proferido pelo diretor de criação. E o chefe
junto.
E todo mundo calado, menos o atendimento, que durante o tempo todo faz que sim com a cabeça e acrescenta com seu inigualável senso de oportunidade: “e digo mais, gente: precisamos pôr mais outdoor, mais outdoor”.
Nesse momento, o chefe interrompe: jamais, esse cliente pede uma ação voltada para mídias sociais com custos mais baixos. Aí o atendimento, com toda sua flexibilidade que anos de história e genes bem sucedidos lhe deram, completa sorridente: “Tem razão, como fui ingênuo. Vamos partir pro Twitter, é isso, é Twitter pra agregar valor. Como não pensei nisso antes? Claro, só você poderia ter pensado, chefe”.
Perfeito! Aí o resto da criação fica por entender por que o chefe convidou o atendimento para passear no seu sítio no fim de semana. E lá, no descontraído churrasco na beira da represa, enquanto o chefe esquia contente por cumprir seu status na hierarquia, o atendimento copula com sua filha. Por isso, te digo: o atendimento de hoje será seu chefe de amanhã. E tem sido assim desde o início dos tempos.
* Ainda em tempo você me pergunta: Mas, Cabral, onde é que entra o monge do título nessa história toda? Ao que eu te respondo: Eu não faço a mínima idéia, filho.

Por Renato Cabral – redator que escreve no BDG de quando em quando (mas pra mim
é o sétimo bicho de goiaba) para fazer amigos e influenciar pessoas – oruminante@gmail.com

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