Encontrei ele de novo! Que felicidade...

Este é uma cado antigo, mal resolvido e inacabado, entre eu, o mestre Fernando Pessoa e seu heterônimo Álvaro de Campos. Criei intimidade com o Fernando durante minha faculdade de Letras, isso tem alguns anos.
Quando fui a bienal de livros, no Rio, em 199 e alguma coisa,  achei um stand de Portugal. Encotrei lá um maravilhoso livrinho vermelho com uma coletânea de poemas escritos por Fernando Pessoa/Álvaro de Campos. Amava aquele livrinho... Era raro, especial, até que alguém, não sei quem, mas era um desses monstros que tem prazer em roubar livros, tirou ele de mim.
Mas agora? Depois de quase 12 anos, achei ele de novo, com cara nova mas o mesmo conteúdo pelo qual me apaixonei há anos. E sabe do que mais? Parecem ainda melhores, os poemas.
Com as pessoas podia ser assim também. Termos a chance de um novo encontro, uma nova paixão, ver que o tempo serviu pra deixar as coisas ainda melhores, quem sabe? Muito tempo, pouco tempo, não importa. Existem sentimentos que nem o tempo, nem toda loucura da vida conseguem apagar.
Não sei dizer porque gosto tanto assim deste poemas, são coléricos, algumas vezes amargos, rabugentos, pessimistas e revoltados... Talvez porque eu não seja muito assim ou nada assim. Mas, ao mesmo tempo, ele era modernista, amante da liberdade, sedento de vida, de experimentar...
Mas vamos lá, veja por só mesmo:

tabacaria

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
(...)
Fiz de mim o que não soube,
e o que podia fazer de mim não o fiz.
(...)
Quando quis tirar a máscara
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me ví no espelho,
Já tinha envelhecido. 
(...)
E a realidade plausível cai derrepente em cima de mim.
Semiergo-me, enérgico, convencido, humano,
e vou tensionar escrever estes versos em digo o contrário."

Quanto a você, monstro-que-rouba-livros, eu tenho o meu de novo.


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