Desencontros por Marcelo Grillo.


Ontem, dia 19 de novembro de 2010, fui ao lançamento do livro de poesia do Marcelo Grillo - DESENCONTROS.

Escolhi uma das poesisa do livro, que combinou mais comigo hoje, porque eu sinto necessidade de estar sempre rabiscando, desde que me entendo por gente.

Rabiscar é preciso

Rabiscos são traços mal feitos,
subterfúgios da alma ferida,
impulsos que ganham vida,
para chorar amores desfeitos,
para disfarçar, insinuar desejos,
esconder sentimentos, aflorando os medos,
clarear a mente, revelando os segredos.

Deixa que escrevam, teus dedos,
o que te vem à alma, sem pejos,
sem preocupação com estética,
ortografia, gramática ou dialética.

Rabiscar é preciso...
Com lápis, num papel de pão;
no guardanapo, com cacos de carvão;
com giz, sobre o ladrilho, a calçada;
com lasca de telha, sobre o chão.

Rabiscar sempre, a toda hora,
em qualquer lugar, de qualquer jeito -
não deixar pra depois os sentimentos
que pululam aflitos em nosso peito,
pois a vida não demora.

Traços sempre apressados
e tremidos sobre o papel
são confetes guardados
da alegria que passou.
Trazem o cheiro, o gestual,
a concentração, o ritual, o aviso -
a alma de quem os rabiscou.

Porque rabiscar é preciso...

Comentários

  1. Esse negócio de rabiscar é bom, né? E eu gosto mais é de rabiscar sobre os escritos alheios. É bom demais! bj

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  2. oi Marcelo,

    rsrs... ah já eu rabisco mais desenhos do que palavras, embora meu livro Pentágono tenha sido feito, em sua maioria de textos, por poemas rabiscados em noites de inspiração em barzinhos, cantos, faculdade e onde mais tinha papel.

    bj
    Lu

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