Coluna Luciana no jornal Aqui - 17/nov/2011 - Quase nada do que é reciclável se recicla. E aí?



17.11.2011

Quase nada do que é reciclável se recicla. E aí?


Uma constatação verdadeira, mas muito preocupante: a quantidade de material reciclado ainda é muito pequena em relação a que fica simplesmente poluindo o meio ambiente. Antes de começar a escrever esta coluna, digitei a palavra reciclagem no Google e, pra minha surpresa, ele apresentou 14.600.000 páginas com este tema. Ou seja, o assunto é mesmo muito falado.

Ouve-se muito – e em várias mídias – sobre reciclagem, sua importância, seu impacto ambiental e o alto preço que pagamos por não reciclar o que é preciso. E o pior de tudo é que os prejuízos se dão a curto, médio e longo prazo. Nós, que trabalhamos com design e propaganda, temos mais um item para nos preocupar: o volume de lixo gerado com o nosso trabalho.

A foto de hoje é sobre um lançamento: vinho em taças individuais e recicláveis – idéia que bombou em vários blogs como maravilhosa e inovadora. Numa de minhas andanças pela Internet, encontrei alguém que partilha do mesmo pensamento e da mesma preocupação que eu sobre essa novidade. Vou citar suas palavras:

“Gente, não é por aí! Não é porque uma coisa é reciclável que ela VAI necessariamente ser reciclada. Reciclagem implica em mais gasto de energia e está longe de ser a solução para o problema da sustentabilidade. Antes de reciclar é preciso REDUZIR e REUSAR. Reciclagem é só se não tiver outro jeito mesmo.”

Ela é a designer, escritora e palestrante Ligia Fascioni (http://www.ligiafascioni.com.br). Muito sensata em sua colocação, destaca que é preciso reduzir a quantidade de lixo e promover o reuso antes da reciclagem, porque o seu processo também consome energia e água. Vamos a um exemplo simples? O copo descartável. Evite sua utilização desnecessária e promova o uso de copos individuais para os funcionários da sua empresa: cada um com o seu, personalizado, que se usa “trocentas” vezes... É muito mais sustentável!

Moramos numa cidade onde se calcula ter cerca de 200 mil habitantes, que geram toneladas de lixo todos os dias. Boa parte desse lixo – senão a maioria – é de materiais que poderiam ser reutilizados e reciclados se tivéssemos uma coleta seletiva e uma usina de beneficiamento. Eu separo meu lixo, mas o que faço com ele? Onde posso levá-lo? Como saber se vai ser reciclado se eu apenas separá-lo e deixar para o caminhão de lixo pegar? A chance é mínima, eu sei, mas o que faço com esse material que em minha opinião nem é lixo, é matéria prima para novas coisas?

Além de publicitária sou artesã e gosto de utilizar os mais diversos tipos de materiais em minhas artes. Estou educando minha filha de cinco anos para isso também, aqui em casa ela desenha e faz arte com todos aqueles rolos de papelão do papel higiênico, folha de papel rascunho, caixas e embalagens plásticas, etc. Tudo isso é usados para se fazer novos brinquedos, juntando um pouco de tinta, cola e muita imaginação. Fico feliz em ver que na escola dela ensina-se a criar com o que chamávamos de lixo. Ótimo! O futuro está mais garantido com a preocupação ambiental sendo incutida na geração dela. Mas e nós? O que estamos fazendo? O que vamos fazer?

Uso este espaço hoje pra iniciar um debate sobre o tema. O que fazermos hoje em Cachoeiro com o lixo reciclável? O que fazemos em nosso trabalho? E em casa, como estamos educando nossos filhos?

Aproveite e pense o que vai fazer com este jornal depois de lê-lo: jogar no lixo? Fazer arte? Separar para reciclagem ou deixar em algum lugar qualquer?

Comentários