Texto | A mulher e o livro.


A MULHER E O LIVRO

Ela pegou o livro que estava lendo. Correu os olhos pelas linhas e o cérebro começou a processar, seu corpo não lhe pertencia mais e o lugar físico em que estava era apenas um detalhe, sem a menor importância no momento. Acontece com quem se entrega a uma boa leitura.

Era sempre assim, como num passe de mágica, num processo quase hipnótico a leitura a fazia esquecer o tempo e o lugar. Problemas do dia a dia? Por algum tempo deixavam de existir. Nada mais importava além da história em suas mãos e da que a sua cabeça construía. E o livro daquela noite era algo novo. Quente, sensual, sexual... Um destes tantos que povoam as livrarias e viram até best sellers depois que redescobriram que a mulher também gosta de histórias sacanas. O detalhe importante é que elas devem vir envoltas em romance e enredos. A seco não descem (Figurativo? Literal?).

O fato é que faz tempo que a mulher exige mais. Um pouco mais dos relacionamentos, amorosos principalmente. Uma grande parte delas não se contenta apenas com superficialidades, amizades por interesses, conversas prontas, mentiras padrão e sexo fast food.

Então o livro desta noite a fazia viajar, em cenários possíveis com um amante que bem podia ser o seu. A protagonista apresentava uma postura segura que ela já cultivava, fazendo toda a diferença na sua vida.

A fantasia do exagero literário, assim como em uma novela televisiva, é bem vinda. Diverte, instrui e dá uma sacudida na mesmice da acomodação diária. Ela é necessária e renovadora.

A história em si não é o mais importante, ler e imaginar sim. É preciso uma entrega, apaixonar-se pelo livro para se aproveitar tudo de bom que podemos extrair nesse processo e no texto.

Ler é um combustível pra sonhar.

Luciana Fernandes

(texto publicado no Suplemento Especial de Cultura do Jornal ES de Fato - ARTEFATO)

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