Posse como imortal da ACL - Academia Cachoeirense de Letras.


Dia 14 de junho de 2013 - o dia em que fui agraciada com uma das maiores honras que quem escreve pode receber: ser imortal de uma academia de Letras. Agora sou confreira da ACL - Academia Cachoeirense de Letras. Sou muito agradecida a todos os confrades e confreiras que me escolheram.

abaixo segue o meu discurso na íntegra:

Senhor presidente da Academia Cachoeirense de Letras, demais membros da diretoria, confrades e confreiras, autoridades aqui presentes, minha família, meus amigos, meus senhores, minhas senhoras...

Sinto-me muito honrada e feliz em fazer parte do seleto grupo de escritores desta casa a partir desta noite, Sou uma das poucas mulheres a qual foi concedida a permissão de ingressar em uma Academia de Letras, em Cachoeiro a primeira publicitária. Vou tentar fazer deste discurso um momento de palavras agradáveis e de uma singela homenagem.

Seguindo a tradição, em que os novos empossados homenageiam seus antecessores em seu discurso, vou falar de CARLOS GOMES DE SÁ, meu patrono e de ABGAR TORRES PARAÍSO, o último ocupante da cadeira 31, que agora tenho a missão de ocupar.

CARLOS GOMES DE SÁ Nasceu em Estância, Sergipe, em 14 de maio de 1888. Faleceu no Rio de Janeiro, em 26 de outubro de 1941, aos 53 anos de idade. Bacharel pela Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, professor de História Universal e do Brasil da Escola Normal Pedro II, em Vitória (ES). Considerado um dos maiores advogados criminalistas de seu tempo. Foi Procurador do Estado, deputado estadual em dois mandatos, Secretário da Justiça, Chefe de Polícia e Jornalista. Colaborou  em jornais de Vitória e do interior do Estado. Minha pesquisa revela que foi um orador aplaudidíssimo. “Era Carlos Sá um palestrador admirável. A gesticulação, toda sua, com que sabia animar o que dizia, dava sempre às suas palestras uma nota inconfundível de vivacidade e encanto.” Talvez até tivesse uma veia publicitária não descoberta. Pertenceu ao Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo, Associação Espírito-santense de Imprensa e à Associação de Juristas do Espírito Santo.  Publicou: “Últimas palavras”, Vitória, 1942.

ABGAR TORRES PARAÍSO nasceu em Ponte de Itabapoana, município de Mimoso do Sul,  Espírito Santo, em 21 de fevereiro de 1941, sendo filho de Prisco Paraiso, coletor estadual da Secretaria de Estado da Fazenda do Espírito Santo e de Crisantina Maria Torres Paraiso, do lar. Em meados de 1950 a família mudou-se para Cachoeiro de Itapemirim. Abgar foi Advogado, jurista, magistrado, professor secundário e universitário, um dos fundadores da Faculdade de Ciências Contábeis e Administrativas de Cachoeiro de Itapemirim (Facacci), do qual foi diretor por vários anos, rotariano e maçon. Em outubro de 2011, aos 69 anos, faleceu após travar uma dura guerra contra o câncer.

Segundo seu irmão Bruno, também membro desta academia, certa vez ao ser consultado sobre Abgar disse: “Meu irmão era uma pessoa com uma integridade inabalável.”. Podemos fazer tal afirmativa sobre poucas pessoas hoje em dia, infelizmente.  

Em relação à ACL, sua passagem por essa academia foi muito intensa durante os anos que viveu em Cachoeiro, tinha muito orgulho em pertencer a Casa, a qual tinha um carinho especial. Sua obra literária merece ser publicada e destacada, missão para nós que ficamos por aqui. Em todos os caminhos que trilhou, nas mais diversas atribuições que abraçou, deixou a imagem marcada de um intelectual que buscou sempre a palavra certa, o encontro com a verdade, o respeito à liberdade. Possuía a sabedoria de aceitar o ser humano com suas diferenças e prezava a responsabilidade, acima de tudo. Abgar foi um homem que nunca usou a palavra em vão. Em relação a ele, a quem humildemente sucedo, uso suas palavras destacadas em um de seus principais textos: “A emoção me faz parar por aqui.”

O que chamamos de imortalidade ou vida eterna é um desejo da humanidade, desde que o mundo é mundo e o homem um ser pensador. É o conceito de viver pra sempre.
A história relata muitos casos da busca da imortalidade, como os egípcios e suas múmias. Também encontramos diferentes crenças e interpretações nas mais diversas religiões da Terra como: cristianismo, budismo, espiritismo, hinduísmo, xintoísmo e tantas outras. A ciência a busca desenfreadamente. Drogas são lançadas como promessa de um não envelhecimento e algumas práticas, nada convencionais, são divulgadas todos os dias. A literatura a exalta, o cinema a propaga, mas a tal imortalidade é pra poucos.

Aqui o cargo de "imortal" é vitalício, o que é expresso pelo lema "Ad immortalitem" (vem do Latim e significa “à imortalidade”). Mas Imortal de Academia de Letras também morre (uma pena...), mas vive eternamente através dos seus escritos, do seu legado, da lembrança e do respeito das pessoas. É exatamente por isso que todos os imortais são gratos e sabem, lá no fundo, que vão mesmo viver para sempre. De certa maneira, talvez não da maneira certa, mas quem se importa? 

Quem tiver curiosidade de ver, temos esse vídeo muito amador e improvisado, mas que ao menos pra ouvir meu discurso:

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