Meus escritos | Exposição "A ferrovia que cria conexões".

Tive a honra e o prazer de ser uma das convidadas a participar da exposição "a ferrovia que cria conexões", que foi aberta dia 25 de março de 2014 na antiga estação em Cachoeiro de Itapemirim ES. Tem muita gente boa e talentosa com textos por lá.
Qual texto meu que está lá? Um dos mais emocionais que escrevi nos útltimos tempos e para você que não pode ir a entiga estação ou está curioso pode ler logo abaixo:

A época de ser pai/mãe dos nossos pais.

 

Chega uma hora na vida de todos nós em que o tempo dita mudanças de comportamento, é quando somos pai/mãe dos nossos pais. Eles não deixam de serem nossos pais, nem nós de sermos filhos, mas assumimos um lado de proteção e cuidado especiais para eles. É quando temos compromisso em também zelar por deles. Acredito que seja a nossa forma de retribuir todo carinho e educação que eles nos deram.
Há tempos eu ouvi dizer que só aprendemos a sermos filhos quando somos pais, é a mais absoluta verdade. Eu, depois que fui mãe, me vejo uma filha diferente. Agora compreendo melhor as atitudes que eles tiveram ao me criar e o amor aumentou.
Meus pais estão muito bem vivos, graças a Deus, mas começo a olhar pra eles de uma forma diferente. O amor de filha se transformou, foi-se a visão de super-heróis, veio a de humanos reais. É quando percebemos que eles também são frágeis e que é perfeitamente possível e correto amá-los assim.
Hoje eu já não preciso mais saber que eles vão me salvar de tudo, basta que me deem um colo de vez em quando.
Tem pouco tempo que eu comecei a cortar o cabelo do meu pai. Eles estão brancos, ralinhos, mas são bonitos. Representam toda a história de vida dele, os anos vividos e as conquistas. Eu gosto de perceber como a experiência o fez mais sábio, mais sensato, mais paciente, mais sensível. Olhando por esse lado, de amadurecimento real, e não só cronológico, os cabelos brancos são legais (pinta não heim pai...). Aproveito o momento e também corto os pelos da sobrancelha, da orelha, faço uma faxina geral. É o momento de cuidar do meu pai, que já cuidou de mim.
Talvez os pais entendam melhor os filhos depois que são avós. Fico olhando meus pais com a minha filha Laurinha (que, aliás, tem o nome da minha avó como uma homenagem), eles não eram assim comigo. Certamente porque não tem mais a rígida função de educar, apenas a de mimar e amar.
Fico pensando na hora em que meus pais ficarem realmente velhinhos, peço a Deus para me preparar e capacitar a dar o meu melhor. Nessa hora eu sei que vou precisar ser mãe da minha mãe e do meu pai e aceito esse papel.

"Feliz do filho que é pai de seu pai antes da morte, e triste do filho que aparece somente no enterro e não se despede um pouco por dia."

"Todo filho é pai da morte de seu pai." - Fabrício Carpinejar

Luciana Fernandes 




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